30/03/09

CONCERTO "À LA CARTE" visto pelo director da CTB

Para o seu centésimo espectáculo a CTB decidiu voltar a um texto do realismo alemão. Agora sem pretensão de mudar o Mundo através do teatro, mas afirmando, no contexto da criação artística, a posição da Companhia de não abdicar de ver e dar testemunho da Vida que nos rodeia.
Este Concerto “à la Carte” é um olhar frio, concreto, real até aos ossos, da vida vivida por cada vez mais mulheres em cada cidade. É a comédia social ao contrário. Se até aos anos setenta a tese era que o casamento seria uma invenção da burguesia e da classe dirigente para manter a fortuna e o património no seio da família e confiado aos herdeiros. Hoje, essa falsa moral ruiu e sobre a pressão do neo-liberalismo, a mulher é cada vez mais colocada entre o mercado da precariedade generalizada, com retorno à ideologia do casamento numa perspectiva de sobrevivência económica. Uma moral modernizada. Mas a realidade é cada dia mais cruel, depois dos preconceitos da dominação masculina, temos dois mercados cada vez mais competitivos: o do trabalho e o do casamento. E a mulher cada dia mais só. Por opção, dolorosa, por abandono, por razões a cada passo mais fortes e dramáticas. Há cada vez mais a Rua como espaço de espectáculo da dignidade que se quer manter e a casa, o dentro de casa, o interior, como espaço prisão que garante a Liberdade para que nos possamos despir dessa farda social. E aí, nesse “teatro” a solidão, a crueldade da vida, torna-nos fantoches de nós mesmos. Mesquinhos e miseráveis. Inúteis e indiferenciados. Somos afinal aquilo que o neo-liberalismo quis fazer de nós: números, cabeças enredadas numa única luta: a sobrevivência a qualquer custo. Concerto “à la Carte” é a vidinha duma senhora, igual a tantas que moram no apartamento ao lado, que se cruzam connosco no supermercado, a quem olhamos sem ver e que morrem sem sabermos e sem elas mesmas darem por isso.
Não contam, fazem parte da estatística para a Europa, mas são apenas números.
É de facto uma comédia social ao contrário. É um espectáculo de risco. É um espectáculo de compromisso, de postura artística e ética sobre o nosso tempo. É uma performance de actriz. De uma grande actriz que, mais uma vez escolheu o caminho mais difícil. Afinal o caminho da Companhia de Teatro de Braga.
Mas é também uma Homenagem a todas as Mulheres que não são acontecimento.
Rui Madeira

Estreia: CONCERTO "À LA CARTE"



Concerto “à la carte”
de Franz-Xavier Kroetz

31 de Março a 3 de Abril - 21h30
Theatro Circo


A história faz-se de pequenos marcos que se perpetuam no tempo e que, de acordo com o seu simbolismo, devem ser partilhados e comemorados. Neste mês, a CTB leva à cena a sua 100ª Produção, Concerto “à la carte”, de Franz-Xavier Kroetz, peça que em jeito de festejo assinala o acontecimento e traz à Companhia a actriz Ana Bustorff que, juntamente com outros profissionais de teatro, fundou a CTB.
Concerto “à la carte” tem estreia marcada a 31 de Março e estará em cena até 3 de Abril (21h30), na Sala Principal do Theatro Circo.

24/03/09

DIA MUNDIAL DO TEATRO

Dia 27 de Março venha festejar com a CTB, o Theatro Circo e o Peloura da Cultura da Câmara Municipal de Braga:

18h30 – Ensaio público de CONCERTO “À LA CARTE” de Franz-Xaver Kroetz, encenação de Rui Madeira, com Ana Bustorff.

21h30 – Espectáculo PRECONCEITO VENCIDO de Pierre Marivaux.

22h30 – Debate/Reflexão: A Função das Práticas Artísticas Profissionais nas cidades médias, com a participação de:
- Mário Vieira de Carvalho, ex-secretário de Estado da Cultura e Professor Universitário;
- Manuel Guede-Oliva, autor, tradutor, encenador, ex-director do Centro Dramático Galego;
- Ângela Mendes Ferreira, directora do Curso de Fotografia da Escola Superior Artística do Porto, fotógrafa e produtora dos Encontros da Imagem de Braga;
- Carlos Morais, director adjunto do curso de Estudos Artísticos e Culturais da Universidade Católica de Braga;
- Regina Guimarães, escritora, dramaturga e videasta;
- Cristina Mendanha, directora do Arte Total – Centro de Educação pela Arte;
- Rui Madeira, director da CTB – Companhia de Teatro de Braga.

Todas as actividades terão entrada livre. Contudo, o ensaio público de CONCERTO “À LA CARTE” e o espectáculo PRECONCEITO VENCIDO têm lotação limitada e são sujeitas a levantamento de convite. Os convites poderão ser levantados na bilheteira do Theatro Circo.

16/02/09

100ª Produção



Concerto "à la carte"
de Franz-Xaver Kroetz

Com ANA BUSTORFF
Encenação de Rui Madeira
Assistentes de encenação Frederico Bustorff Madeira, Solange Sá
Tradução de Maria Adélia Silva Melo
Cenografia de Carlos Sampaio
Figurinos de Sílvia Alves
Desenho de luz de Fred Rompante
Desenho de som de Pedro Pinto
Fotografia de Manuel Correia


“É preciso estar satisfeito. A insatisfação é uma doença”.

Ana Bustorff volta à Companhia para uma grande performance.
Um texto único para uma actriz única.
Um espectáculo construído em partitura de silêncios.
O teatro já passou e a Vida é vivida tal qual é.

Há ecos e silêncios que a Vida produz: são a música do tempo e do lugar.
Habitamos e vivemos, cada vez mais, um mundo que é só nosso.
Livres e prisioneiros das nossas cabeças. Agimos. Organizamos e reorganizamos um Caos.
Reconstituimo-nos no Silêncio.

Depois de BACANTES e antes de PESAR, a CTB continua na pista de um “théàtre de femmes”, como lhe chamou Kroetz.

Rui Madeira


Estreia 31 de Março às 21h30
Espectáculos 1 a 3 de Abril às 21.30h
Bilhetes: 12€ (desconto de 50%: estudantes, reformados e protocolos)

13/02/09

AUTO DA BARCA DO INFERNO em Matosinhos


17 de Fevereiro - 10h30/15h30
18 de Fevereiro - 10h30/15h30 e 21h30
Teatro Constantino Nery
Matosinhos

Após duas semanas de representações de Auto da Barca do Inferno, no Auditório no Parque de Exposições de Braga, a CTB apresenta o clássico de Gil Vicente, no Teatro Constantino Nery, nos dias 17 (10h30/15h30) e 18 (10h30/15h30 e 21h30) de Fevereiro.
O reconstruído Cine-teatro de Matosinhos recebe, ainda, a 21 de Fevereiro a Oficina Inferno, um projecto educativo sobre Gil Vicente e Auto da Barca do Inferno dirigido a professores e que será ministrado por Rui Madeira.

Sinopse:
Será que a maledicência, o orgulho, a usura, a concupiscência, a venalidade, a petulância, o fundamentalismo, a inveja, a mesquinhez, o falso moralismo cristão… têm entrada directa no Paraíso? Ou terão de passar pelo Purgatório? Ou vão directamente ao Inferno? E a pé, de pulo ou voo?Aliás, onde fica e como designamos o Lugar onde estamos? E que paraíso buscamos?Uma revisão da CTB, em demanda da modernidade sobre o texto Vicentino e o prazer do jogo teatral.Um espectáculo (na sequência de Pára-me de Repente) sobre a nossa memória identitária.

Ficha Artística:
Autor:
Gil Vicente
Encenador: Rui Madeira
Figurinos: Sílvia Alves
Actores: Carlos Feio, Rogério Boane, Teresa Chaves, Solange Sá, Jaime Soares, Alexandre Sá, Allex Miranda
Desenho de luz: Fred Rompante
Espaço Cénico: Rui Madeira
Operador de Luz: Vicente Magalhães
Desenho e operação de Som: Pedro Pinto