14/04/09

Digressão no Brasil

A CTB - Companhia de Teatro de Braga apresenta As Bacantes, em São Paulo, Brasil, no mítico Teatro Oficina, dirigido por José Celso Martinez Corrêa, director do importante grupo Uzyna Ozona e um dos mais prestigiados encenadores brasileiros. Esta apresentação integra o IV Circuito de Teatro Português, em São Paulo, e o Festival de Outono daquele Teatro.

Zé Celso dirigiu há alguns anos As Bacantes com enorme êxito. Personalidade riquíssima da Cultura brasileira, assumiu a luta pela manutenção do seu Teatro Oficina, num período recente, quando interesses económicos tentaram destruir um dos mais ricos patrimónios do teatro Brasileiro. Espectáculos como Boca de Ouro, Cacilda!, A Terra, As Bacantes e tantos outros, fazem deste director um dos mais internacionais homens do teatro brasileiro. O Festival de Avignon homenageou-o recentemente, tal como a Alemanha.

É, pois, com imenso orgulho que a CTB vai apresentar As Bacantes no próximo dia 21, dando início a uma série de apresentações deste espectáculo.

Ainda no contexto da digressão e do Projecto Bacantes, Rui Madeira vai dirigir em S. Paulo, na Oficina Cultural Amácio Mazzaropi, a Oficina Bacantes – Uma Orgia do Poder. A acção de interpretação que se desenvolve através da exploração dramaturgica e cénica dos Coros na obra de Eurípides, tem como objectivo a selecção de actrizes para integrar o elenco de As Bacantes nesta série de apresentações.

Desta forma, cumpre-se mais uma etapa do Projecto Bacantes, fio condutor do processo de criação de As Bacantes, peça que concretiza o trabalho iniciado em 2008, no Brasil, onde no âmbito da mesma Oficina foram seleccionados um actor e duas actrizes para realizarem um estágio na Companhia; e o trabalho desenvolvido por um grupo de 14 pessoas, das mais variadas profissões, escolhidas em cerca de 120 participantes na audição realizada em Braga, que integraram uma Oficina sobre prática teatral.

Este Projecto resulta de uma parceria entre a CTB, a Secretaria da Cultura do Governo do Estado da Bahia e a Prefeitura de Camaçari.

Agenda:
Dia 21, 21hAs Bacantes, Teatro Oficina, S. Paulo

Dia 22, 20hPreconceito Vencido, Oficina Amácio Mazzaropi, S. Paulo

Dia 25, 21hAs Bacantes, Teatro Municipal Lulu Benencase de Americana, S. Paulo

30/03/09

Sobre o autor

Franz-Xaver Kroetz nasce em Munique em 1946. Estuda representação, queria ser actor. Foi porteiro, camionista até decidir “pegar numa máquina de escrever comprar papel e desatar a escrever”, pelo meio foi canalizador, operário. Trabalha em pequenos papéis em várias “caves” de teatro de Munique, entre as quais o Anti-teatro de Rainer-Werner Fassbinder. Começa a escrever peças. Colabora com o teatro camponês.
Em 1970 recebe uma bolsa de dramaturgia, atribuída pela editora Suhrkamp. A 3 de Abril de 1971 estreia duas das primeiras peças Trabalho ao Domicilio e Obstinação, em Munique. A estreia foi acompanhada por uma manifestação da extrema-direita com vidros partidos e bombas de mau cheiro. Tinham sabido que no espectáculo havia infanticídio, aborto e masturbação em cena.
Continua a escrever e a intervir politicamente, em 1972 apresenta-se às eleições nas listas do DKP (partido comunista alemão) mas não é eleito. As suas primeiras peças, a simpatia espontânea pelos marginais e pelos menos privilegiados e contra a sociedade de consumo alemã, cristalizou-se em pequenas cenas naturalistas com reduzido diálogo em dialecto bávaro. A partir de 1972 obtém do Ministério da Cultura e do Teatro de Heidelberg uma bolsa que lhe permite escrever sem preocupações materiais e trabalhar em contacto mais estreito com a prática teatral. Música para Si, Alta Áustria, Maria Madalena, Lienz, Cidade dos Dolomitas, Interesse Global… são algumas das suas muitas peças. Os seus textos são dos mais representados.
Em 1974 dirige para a televisão Outras Perspectivas e continua a escrever. Encena a sua peça Querido Fritz.
Em Janeiro de 1976 Kroetz desloca-se a Portugal integrado numa Delegação do Comité de solidariedade com Portugal, com outras personalidades. O Teatro da Cornucópia apresenta Kroetz ao público português com Alta Áustria numa encenação de Jorge Silva Melo e mais tarde com Música Para Si (Concerto “à la Carte”) numa encenação de Luís Miguel Cintra e Jorge Silva Melo, tendo como protagonista a grande actriz Isabel de Castro.