27/07/09

Criação artística em Portugal: contributos para uma nova política


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Entre 2001 e 2009, o orçamento do Ministério da Cultura baixou de 300 para 213 milhões de Euros. O peso do orçamento do Ministério no Orçamento Geral do Estado passou de 0,7 para 0,3%.
Ao fazer recentemente o balanço da actuação do seu executivo, o Primeiro-Ministro reconheceu, como em relação a nenhuma outra área, que o investimento público na Cultura ficou aquém do que seria desejável. Posteriormente, afirmou constituir a Cultura uma “prioridade” sua na próxima legislatura.
Relativamente a esta matéria, espera-se que todos os partidos exprimam com clareza a sua posição e, obviamente, antes das eleições. Importa saber que políticas propõem para o sector os candidatos ao Governo.

2
Em Outubro de 2008, as companhias de teatro profissional subscritoras do presente documento discutiram o modelo de financiamento público à criação artística em Portugal actualmente em vigor. Exprimiram então a sua preocupação com a sub-orçamentação do Ministério, e também com:
- a profusão de sucessivas alterações legislativas, que aí atingiu um pico surrealista: o mesmo governo alterou um modelo que ele próprio tinha criado, antes mesmo de este entrar em vigor;
- os efeitos devastadores que tal instabilidade provoca na vida e no trabalho das estruturas de criação artística que a ela estão sujeitas;
- a falta de discussão pública desta última alteração, que ocorreu em sentido inverso aos resultados da discussão havida apenas dois anos antes;
- a ambiguidade na definição do que é o serviço público nesta área;
- o agravamento das assimetrias regionais;
- o desconhecimento ou a desconsideração em relação aos custos da criação artística teatral;
- a subjugação das companhias à lógica de projecto pontual, ignorando o seu papel estrutural no sistema teatral do país e impedindo-as, na prática, de potenciar devidamente o seu trabalho;
- a incoerência legislativa quanto aos direitos dos trabalhadores do sector;
- a ausência de uma intervenção sustentada em matéria de internacionalização;
- a predominância dos factores quantitativos em detrimento dos aspectos qualitativos;
- a confusão entre número de espectadores e qualidade do trabalho artístico;
- as insuficiências reiteradas da formação artística no país;

Ignoradas (ou distorcidas) na altura, estas preocupações transformaram-se em certezas quanto à incapacidade do actual Governo para pensar e concretizar uma política cultural para o país.
Mesmo depois do reconhecimento - ou contrição - do próprio Primeiro-Ministro, não deixa de causar espanto que o Ministro da Cultura (que prometera “fazer mais com menos”) e as chefias intermédias por si tuteladas tenham vindo a público reiterar a defesa do seu entendimento e da sua actuação, procurando justificar o injustificável, manipulando dados, tentando dividir os agentes no terreno e procurando disfarçar a sua incompetência com acções supostamente mediáticas – beneficiando, é certo, da costumeira falta de espaço para a discussão séria de matéria cultural, tanto na comunicação social como no debate inter e intra-partidário.

3
Solidárias com o reconhecimento expresso pelo Primeiro-Ministro – que gostariam de ler como uma verdadeira intenção de alterar a forma de fazer política cultural em Portugal –, estas companhias de teatro vêm uma vez mais dar o seu contributo para a discussão, numa altura em que é imperioso assumir-se claramente compromissos com o país, de forma séria e vinculativa.
Não representam estas companhias mais ninguém além de si próprias. Reconhecem que o sector não tem estruturas representativas e que a tarefa dos governantes é, portanto, um pouco mais trabalhosa: exige idas ao terreno, auscultações, “trabalho de casa”; exige rigor e seriedade no diagnóstico dos problemas; exige frontalidade na apresentação de propostas e responsabilidade na acção – em democracia, os programas eleitorais e de governo são compromissos para cumprir e a sua violação uma falha grave, que exige (como é do senso comum), para além de desculpas, a sua imediata reparação.
É neste contexto que as seis companhias profissionais abaixo assinadas vêm renovar as suas propostas para o desenvolvimento sustentado do Teatro no nosso país, elemento fundamental de uma ambição mais vasta – a afirmação da criação artística nacional, dentro e fora do país, como um sector fundamental da intervenção do Estado, no âmbito de um projecto de sociedade mais justo e mais democrático.
Sediadas em algumas das cidades médias mais importantes do país – Braga, Coimbra, Évora, Faro e Covilhã –, todas elas com pólos universitários da maior relevância e com o que tal abrangência geográfica significa em termos de públicos directamente beneficiados com o seu trabalho, bem como em espaços culturais conquistados para o país e de potencialidades para uma efectiva e equilibrada descentralização da criação artística pelo território nacional, estas companhias propõem:

- o cumprimento imediato da meta do 1% do OGE afecto ao Ministério da Cultura;
- a revisão do actual modelo de financiamento público à criação artística, através de um processo em que as preocupações manifestadas pelos agentes que trabalham no terreno sejam efectivamente tidas em conta;
- a separação dos apoios à criação dos apoios à programação de salas de espectáculo, em nome da transparência e da eficácia do investimento público;
- a valorização de critérios qualitativos na avaliação dos projectos a apoiar, por oposição à lógica quantitativa dominante, supostamente neutral e mais objectiva, que tem presidido à relação do Estado com os agentes culturais e que foi radicalizada no modelo actualmente em vigor;
- a substituição do modelo generalizado dos “concursos” por um modelo misto: contratos-programa com as companhias e os agentes com provas dadas (limitados no tempo e sujeitos a competente avaliação regular por parte do Estado) e apoios específicos para novos criadores, que assim devem ver reforçados os apoios ao seu dispor;
- a implementação de objectivos específicos (e mensuráveis) a cada caso, na contratualização com cada uma das estruturas;
- o estabelecimento de protocolos estáveis e equilibrados com as autarquias das principais cidades do país tendo em vista a valorização das estruturas de criação aí sediadas e a maximização das potencialidades dos novos equipamentos culturais aí instalados;
- o reforço da exigência quanto à qualidade dos equipamentos apoiados pelo Estado, tanto no que diz respeito às infraestruturas como quanto aos seus modelos de funcionamento e programação, aplicando-a em todos os programas de suporte financeiro – da comparticipação das obras aos projectos de incentivo à circulação de espectáculos;
- a definição de prioridades estratégicas na afectação do investimento público, tendo em conta uma estruturação do território nacional que se articule com as outras dimensões do desenvolvimento do país, nomeadamente com uma política de cidades que promova um efectivo e realista combate à desertificação do interior do país;
- uma política de apoios à internacionalização, que seja não dirigista, capaz de reconhecer as relações estabelecidas e o trabalho desenvolvido pelas companhias existentes, potenciando relações de intercâmbio já amadurecidas, as quais têm sido ignoradas;
- o envolvimento dos criadores nacionais no incremento da formação artística e da sensibilização para as artes nos diferentes graus de ensino, desde o pré-escolar ao superior;
- a disponibilização dos meios públicos de comunicação social para a divulgação regular das iniciativas promovidas pelas companhias e pelos criadores individuais financiados pelo Estado, gratuitamente ou a preços simbólicos;


Coimbra, 24 de Julho de 2009.

A Escola da Noite – Grupo de Teatro de Coimbra
ACTA – Companhia de Teatro do Algarve
Centro Dramático de Évora
Companhia de Teatro de Braga
Teatro das Beiras
Teatro de Montemuro

21/07/09

A Escola da Noite apresenta ESTE OESTE ÉDEN



Fotos de ensaio (A Escola da Noite/2009)


Este Oeste Éden
de Abel Neves
Pel'A Escola da Noite - Grupo de Teatro de Coimbra

30 e 31 de Julho - 21h30
Theatro Circo


No âmbito da Plataforma das Companhias, a CTB – Companhia de Teatro de Braga, com o apoio do Pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Braga e do Theatro Circo, acolhe espectáculo d'A Escola da Noite – Grupo de Teatro de Coimbra. Este Oeste Éden, de Abel Neves, com encenação de Sílvia Brito, estará em cena nos dias 30 e 31 de Julho, às 21h30.

Este Oeste Éden propõe-nos uma arrojada visão da humanidade, revisitando alguns dos mais enraizados mitos fundadores da civilização ocidental e propondo o seu cruzamento, em palco, com sinais da nossa vida quotidiana. Uma reflexão sobre a condição humana e os ciclos de que se constrói a sua história, plena de metáforas e interrogações – seremos nós, humanos, a mais imperfeita e mais irresistível das criações artísticas?

A Plataforma das Companhias é uma aliança informal de colaboração entre seis companhias de teatro sediadas fora de Lisboa e empenhadas na descentralização teatral, da qual fazem parte, para além da CTB - Companhia de Teatro de Braga e d’A Escola da Noite, o Teatro das Beiras (Covilhã), o CENDREV - Centro Dramático de Évora, a ACTA - Companhia de Teatro do Algarve e o Teatro Regional da Serra de Montemuro.

Texto: Abel Neves
Encenação: Sílvia Brito
Cenografia: António Jorge
Figurinos: Ana Rosa Assunção
Luz: Danilo Pinto
Som: Eduardo Gama
Elenco: Ana Mota Ferreira, António Jorge, Igor Lebreaud, Maria João Robalo, Miguel Magalhães, Ricardo Kalash, Sílvia Brito e Sofia Lobo

Sinopse:
Nove anos depois de "Além as estrelas são a nossa casa", A Escola da Noite volta a apresentar ao público um texto inédito de Abel Neves, autor com quem mantém uma relação de grande proximidade artística.
"Este Oeste Éden" revisita os grandes mitos fundadores da civilização ocidental e oferece-os à luz de uma contemporaneidade perturbadora, quase dolorosa. Uma reflexão sobre a condição humana e os ciclos (condenados?) através dos quais se recr(e)ia a história da humanidade.

02/07/09

Artes cénicas em debate

Las artes escénicas en la frontera. Una aproximación a los espacios limítrofes de las artes del espectáculo é o tema que serve de mote ao encontro que a Escola Superior de Arte Dramática da Galiza, da Universidade Internacional Menéndez Pelayo, vai realizar em Santiago de Compostela (Espanha), entre os dias 9 e 11 de Setembro.

Sob a direcção de Inmaculada López Silva, o encontro conta com a presença de várias personalidades, entre as quais Rui Madeira, director da CTB, que participará na mesa-redonda: La posible rentabilidad de las periferias: el eje Coruña - Porto como sueño, agendada para as 16h do dia 9 de Setembro.

Informação adicional e inscrições disponíveis no sítio da Universidade.

30/06/09

AS BACANTES

7 a 10 de Julho - 21h30
Theatro Circo

SINOPSE:
Um espectáculo sobre o Sentir, o Saber e o Acreditar!
Sobre a Política e a organização da Cidade.
Sobre a Vingança.
Sobre a necessidade mais funda que temos de dizer Não e de rompermos a Norma.

Um espectáculo sobre a Condição Humana.
A luta entre o Sagrado e o Profano.
Um caminho de Viajantes e de Confronto de Identidades.

Um espectáculo de Mulheres!
Uma tragédia do Mundo!

Rui Madeira

FICHA ARTÍSTICA:
Autor: Eurípides
Encenador: Rui Madeira
Actores: Carlos Feio, Jaime Soares, Rogério Boane, Solange Sá, Teresa Chaves
Actores estagiários no âmbito da Cena Lusófona: Allex Miranda, Mabelle Magalhães, Thamara Thaís
Actores estagiários no âmbito da oficina "Bacantes: uma orgia do Poder": Aleixo Morgado, Ana Lestra Gonçalves, Ana Cristina Oliveira, André Silva, Sofia Miranda, Marisa Queirós
Dramaturgia: Rui Madeira
Cenografia: Samuel HofCriação Vídeo: Pedro Pinto
Figurinos: Sílvia Alves
Desenho de luz: Fred Rompante
Grafismo: Carlos Sampaio
Fotografia: Paulo Nogueira

M/12

Bilhetes: 10€ (desconto de 50%: estudantes, reformados e protocolos).

15/06/09

Festival em Campo Benfeito: Companhias de teatro lamentam ausência da DGArtes e recomendam medidas aos decisores políticos


Terminou hoje, em Campo Benfeito, o III Festival das Companhias Descentralizadas, organizado pelo Teatro de Montemuro e que contou com a participação das outras cinco companhias de teatro profissional que integram a Plataforma das Companhias: A Escola da Noite (Coimbra), ACTA (Algarve), Centro Dramático de Évora, Companhia de Teatro de Braga e Teatro das Beiras (Covilhã).
Envolvendo directamente mais de 60 pessoas, o programa do Festival incluiu a apresentação de seis espectáculos (um por cada companhia), um workshop de escrita criativa com o dramaturgo Abel Neves, um workshop de teatro a cargo do grupo anfitrião, um debate sobre "O teatro na descentralização" (com a presença do Director Regional da Cultura do Centro) e ainda contactos informais com uma centenária associação cultural do concelho de Castro Daire, a propósito do trabalho artístico com jovens. As iniciativas espalharam-se por quatro localidades de dois concelhos da região - Campo Benfeito, Carvalhal, Castro Daire e Lamego - e integraram a programação de três salas: Espaço Montemuro, Auditório Municipal de Castro Daire e Teatro Ribeiro Conceição. Assistiram aos espectáculos cerca de 700 pessoas, o que representa uma média superior a 100 espectadores por sessão.

Um Festival em crescimento
A ideia do Festival das Companhias surgiu em 2005, na sequência dos contactos que vinham sendo estabelecidos entre estas seis companhias, organizadas informalmente numa Plataforma de debate, intercâmbio e colaboração. Para além de potenciar o conhecimento do trabalho que as suas congéneres vão realizando (objectivo a que estas seis companhias continuam a atribuir a maior importância), ele permite, de acordo com a lógica de rotatividade que vem seguindo, que as companhias de cada cidade apresentem aos seus públicos, de uma forma organizada, os espectáculos das estruturas de criação que com elas partilham este projecto.
Entre Faro (2005), Braga (2008) e agora Montemuro, o modelo do Festival tem vindo a ser aperfeiçoado, nomeadamente com a introdução de iniciativas paralelas à apresentação dos espectáculos, quer no âmbito da formação, quer aproveitando estas oportunidades para suscitar momentos de reflexão sobre áreas directamente relacionadas com o trabalho dos grupos - ao nível artístico e em matéria de política cultural. Simultaneamente, tem vindo a ser aumentado o tempo de encontro efectivo entre os diversos elementos que compõem cada companhia, de modo a fomentar um verdadeiro entrosamento entre os grupos. É por isso que todos os grupos tentam permanecer no local do Festival o maior tempo possível e com o maior número possível de pessoas – assim podem assistir aos espectáculos, mas também conhecer os colegas dos outros grupos com quem, ao longo do ano, vão comunicando e colaborando apenas à distância ou nos vários intercâmbios bilaterais estabelecidos entre estas companhias.

O conceito de “companhia”
Na origem do trabalho conjunto desenvolvido por estes grupos está a consciência partilhada por todos de que vale a pena, independentemente das diferenças estéticas que as caracterizam e que são mutuamente respeitadas, valorizar os múltiplos aspectos que as unem, decorrentes de duas marcas fundamentais: são companhias de teatro, com vários anos de existência tão estável quanto isso é possível na actual conjuntura nacional; e estão sediadas fora de Lisboa e Porto, assegurando uma significativa representatividade do chamado "resto do país" (num eixo que vai do Minho ao Algarve, passando pelo interior do território continental, e que cobre algumas das principais cidades médias portuguesas, como Braga, Coimbra, Covilhã, Évora e Faro).
Une-as igualmente a constatação que fazem dos contributos que têm dado para o desenvolvimento cultural das cidades onde estão sediadas. Mesmo apenas em termos quantitativos, será fácil somar o número de espectáculos anualmente apresentados por estes grupos (seguramente mais de 600), o número de espectadores que tiram partido destes espectáculos, bem como as acções de formação, as edições, as iniciativas para e com as escolas, os festivais e acolhimentos que organizam, o número de colaboradores que empregam, os jovens profissionais a quem dão oportunidades, os espaços que construíram, adquiriram e colocaram a funcionar e cuja existência se justifica, em larga medida, pelo trabalho que têm desenvolvido.

Contra o desconhecimento
Une-as também, contudo, a certeza de que estes seus contributos continuam a ser ignorados pela Administração Central, cujos discursos "descentralizadores", permanentemente contrariados por práticas centralistas, assentam num profundo desconhecimento sobre o que acontece no terreno e ignoram as especificidades do trabalho realizado longe dos centros de decisão política, económica e mediática.
Em contra-corrente com o balanço extremamente positivo que dele fazemos do ponto de vista do fortalecimento das relações entre as companhias, esta edição do Festival é, em si mesma, um exemplo dessa desconsideração pelo nosso trabalho. Quando, no verão passado, denunciámos publicamente a ausência de discussão pública sobre a alteração às normas do financiamento público da criação artística, a DGArtes comprometeu-se a debater connosco e com outras estruturas a temática da descentralização, ainda que apenas depois de concluído o processo dos concursos que teriam que entrar em funcionamento rapidamente. Foi precisamente isso que quisemos fazer, no âmbito do Festival, convidando a DGArtes para estar presente no debate que organizámos e que foi aberto a todas as estruturas de criação do país. A representação oficial deste organismo foi sendo delegada em postos inferiores da hierarquia até acabar por não existir, o que consideramos inaceitável.

Recomendações
Também por isso, consideramos útil tornar públicas, após o encerramento dos trabalhos, as principais conclusões a que chegámos em conjunto, apresentando-as como recomendações aos vários decisores políticos envolvidos na definição e na concretização de políticas culturais em Portugal:

1. Retomar a discussão com os agentes culturais sobre o modelo de financiamento público às artes (abruptamente interrompida pelo actual Governo na segunda metade do seu mandato) a partir do quadro normativo aprovado pelo mesmo Governo nos seus dois primeiros anos e que nunca chegou a entrar em vigor;

2. Cumprir o programa de Governo no que respeita à dotação orçamental do Ministério da Cultura, aproximando-nos (e não afastando-nos, como tem vindo a acontecer) do 1% do Orçamento Geral do Estado;

3. Cumprir o programa de Governo no que diz respeito à separação entre apoios à criação e apoios à programação, em nome da clareza e da eficácia do investimento público;

4. Diferenciar de forma clara o apoio a estruturas de criação dos apoios a projectos pontuais e a novos criadores, o que implica a definição objectiva do conceito de "companhia" e a quantificação realista dos custos decorrentes da sua actividade regular e das obrigações legais a que estão sujeitas (encargos com pessoal, Segurança Social, Finanças, gestão de espaços, etc.);

5. Racionalizar os financiamentos públicos, valorizando as estruturas que melhores condições têm para cumprir o seu papel de serviço público, dotando-as de meios para que efectivamente o possam cumprir e de modo a que possam ser justamente avaliadas e seriamente responsabilizadas;

6. Clarificar os papéis dos diferentes níveis da Administração Pública, nomeadamente na articulação entre a Administração Central, as autarquias e as estruturas intermédias de governação (Direcções Regionais de Cultura, Direcções Regionais de Educação, Comissões de Coordenação e Desenvolvimento) na gestão da política cultural. Promover activamente as indispensáveis complementaridades - até aqui, as companhias têm sido quase sempre deixadas sozinhas no papel de ponte entre estes diferentes níveis de decisão ou mesmo, nos piores mas frequentes casos, utilizadas como arma de arremesso entre cada um deles.

7. Envolver a Administração Central, as autarquias e as estruturas de criação numa análise séria das condições que os espaços teatrais do país oferecem para a criação e a apresentação de espectáculos. O Auditório de Castro Daire é um exemplo, entre tantos outros casos que conhecemos bem, de um equipamento em que pequenas e baratas intervenções poderiam melhorar substancialmente a funcionalidade dos espaços e a fruição por parte do público;

Coimbra, 2010
Realizado este ano sem qualquer apoio financeiro por parte do Ministério da Cultura, o III Festival das Companhias foi por elas suportado em grande parte - os apoios das autarquias de Lamego e Castro Daire e os patrocínios conseguidos não cobrem nem metade do orçamento. A importância e a singularidade do evento justificariam também outra atenção do Estado. Reivindicamo-la a partir de hoje já para a próxima edição, que terá lugar durante o ano de 2010, segundo decisão unânime, em Coimbra, com organização d'A Escola da Noite.

Campo Benfeito, 14 de Junho de 2009.

A Escola da Noite - Grupo de Teatro de Coimbra
ACTA - Companhia de Teatro do Algarve
Centro Dramático de Évora
Companhia de Teatro de Braga
Teatro das Beiras
Teatro de Montemuro