15/07/10
Contos de José
O Jornal de Letras publicou, na sua última edição, a crítica teatral de Helena Simões referente ao espectáculo 3Fonseca da Trilogia 1José 2Rubem 3Fonseca, uma co-produção entre a CTB e A Escola da Noite. Aqui fica o excerto:
“Compreende-se o fascínio por esse autor brasileiro não dramaturgo, mas cujos textos se prestam à dramatização, e que resultou em três espectáculos autónomos (…). No dia em que estive, pude ver o terceiro (3Fonseca): trata-se de onze textos, ou em alguns casos de mini textos confessionais, transformados numa zona que sonda descendo à vida humana na sua curta mas dramática imagem. Uma série de flashes para os inferninhos, alguns tipicamente brasileiros, curiosamente, como que bem-dispostos e sobretudo apanhados no próprio momento da queda, pelos intérpretes das duas Companhias (…). Quem encenou com eficácia e saber, mas sobretudo dirigiu primorosamente os actores, foi o director da Escola da Noite, António Augusto Barros. A qualidade maior foi a de saber harmonizar actores de duas Companhias, a tal ponto que não reconhecemos as pertenças de origem. De realçar igualmente o guarda-roupa, expressivo e rigoroso a sinalar o deslizamento para uma sub-humanidade incurável. Um dispositivo cénico minimal, bem iluminado, feito de objectos que prolongam as personagens, num palco novo, de um teatro construído de raíz, o Teatro da Cerca de São Bernardo, espaço feliz e bem organizado.”
12/07/10
Oficina Bacantes – Uma orgia do poder no V Circuito de Teatro Português
A CTB cancelou a apresentação de Concerto “à la carte”, monólogo de Franz Xaver Kroetz interpretado por Ana Bustorff, no Brasil. Tal como anunciado, o espectáculo iria integrar o V Circuito de Teatro Português que se realiza de 16 a 24 Julho, em São Paulo, porém, respostas negativas (e fora de tempo) do Instituto Camões e da Direcção-Geral das Artes sobre o apoio à deslocação do espectáculo obrigaram a esta decisão.
Nesta contingência, a CTB garante apenas a presença do seu director, Rui Madeira, na direcção da Oficina sobre interpretação: Bacantes - Uma Orgia do Poder, em São Carlos, de 14 a 20, e um workshop de interpretação, em São Paulo, dia 21, dentro da programação do Festival. Estará ainda presente na abertura do evento dia 16 de Julho, como director da CTB e da Cena Lusófona.
29/06/10
O corte de 10% nos contratos do Ministério da Cultura
PLATAFORMA DAS COMPANHIAS
A Escola da Noite (Coimbra) . ACTA – A Companhia de Teatro do Algarve . CENDREV – Centro Dramático de Évora . Companhia de Teatro de Braga . Teatro das Beiras . Teatro do Montemuro
O corte de 10% nos contratos do Ministério da Cultura
O Governo decidiu cortar em 10%, para o ano de 2010, todos os financiamentos à criação artística que resultam dos contratos assinados entre o Ministério da Cultura e os agentes culturais.
Trata-se, nas palavras da própria Ministra, que o aceita e justifica, de um “corte cego”, indiferente à altura do ano em que é anunciado, ao grau de execução das actividades a que os criadores se haviam comprometido com o Governo, e às diferentes realidades – estruturais, organizativas, em matéria de responsabilidades e encargos assumidos – que o Ministério da Cultura teria obrigação de conhecer e de distinguir entre aquilo que designa por “artistas independentes”. A notícia deste corte veio encontrar reunidas em Coimbra, no Festival que anualmente organizam, as seis companhias de teatro profissional que integram a Plataforma das Companhias, uma estrutura informal de intercâmbio, debate e reflexão.
No seu conjunto, estas seis companhias empregam nos seus quadros, em permanência, mais de uma centena de pessoas – têm, em média, 17 colaboradores permanentes. Todas são financiadas pelo Ministério da Cultura, ao abrigo de contratos pluri-anuais que resultam de candidaturas aprovadas por júris nomeados pela Direcção-Geral das Artes, com valores que variam entre os 200 e os 320 mil Euros/ano. Este corte significará uma perda entre os 20 e os 32 mil Euros nas receitas previstas até ao final do ano, que inevitavelmente se reflectirá em perda de postos de trabalho, em cancelamento de produções e em paralisação da actividade. Falamos de estruturas profissionais organizadas, com custos permanentes e responsabilidade social: salários, segurança social, contratos com fornecedores já celebrados, etc.
Perante tão sérias consequências e após rasgar os contratos que connosco assinara, a Ministra pede-nos, num e-mail enviado no passado sábado, “solidariedade” com o “esforço nacional”. Reconhece as “dificuldades endémicas associadas a esta área”, “lamenta” a situação e manifesta-nos a sua própria “solidariedade”.
No âmbito da Plataforma das Companhias e noutros foruns de discussão, estas seis companhias vêm desde há muito chamando a atenção dos sucessivos Governos, Ministros da Cultura e Directores-Gerais para as tais “dificuldades endémicas” do sector. A primeira das quais – a falta de financiamento público – foi aliás reconhecida pelo Primeiro- Ministro José Sócrates. Em campanha eleitoral, é certo. Em campanha eleitoral, ainda por cima – naquela altura em que é suposto os governantes assumirem compromissos com os eleitores e clarificarem o que se propõem fazer.
Em vários documentos publicados e enviados aos titulares de cargos com responsabilidades na definição e na concretização de políticas culturais, temos apresentado propostas concretas para a definição de uma estratégia nacional neste domínio, capaz de dotar o sector de uma sustentabilidade mínima, que lhe permitisse funcionar devidamente em alturas normais e sobreviver a uma situação de crise, como a que actualmente atravessamos. Propostas que visavam a racionalidade na distribuição dos dinheiros públicos, a consolidação das estruturas de criação existentes, a criação de condições para uma circulação regular dos espectáculos financiados pelo Estado, a existência de apoios mínimos para a internacionalização, a regulamentação do estatuto profissional dos artistas, um real incentivo ao mecenato cultural, a complementaridade entre o investimento público nacional e os fundos comunitários, a definição de um quadro que regulasse a articulação entre Estado Central e autarquias, entre outros.
Todos estes contributos foram sendo ignorados e continuamos até hoje com a mais perversa das formas de política cultural: a que promove uma espécie de assistencialismo aos tais “artistas independentes” com os quais a Ministra agora se solidariza. Uma “política cultural” que convive de forma acrítica, resignada e cúmplice com o mais feroz ataque feito pelo Estado à criação artística nacional nas últimas décadas.
Nas “explicações” que procura dar aos agentes culturais, a Ministra deixa claro a forma como pensa o sector: um conjunto de projectos avulsos, que se fazem ou não se fazem consoante haja dinheiro, ou que podem dimensionar-se e redimensionar-se, de um momento para o outro, ao sabor da disponibilidade orçamental que o Governo decide ter. É a permanência desta maneira de encarar a criação artística, que o Ministério da Cultura tem estimulado em vez de contrariar, que permite a um Ministro das Finanças tomar decisões tão danosas e arbitrárias como esta.
Recusamo-nos a aceitar a desculpa da crise. Todos sabemos que as verbas que agora nos pretendem retirar – aquelas de que depende a nossa sobrevivência – são, no conjunto do défice, verbas irrisórias que nada resolvem. Além disso, ao longo dos últimos anos, o orçamento dedicado à cultura vem sofrendo sucessivos cortes, ao arrepio dos discursos e dos anúncios oficiais e dos programas eleitorais e de governo apresentados pelos responsáveis políticos. As referências às “medidas similares” na “maioria dos outros países da Europa dos 27”, com as quais a Ministra tenta atenuar o impacto deste corte, são por isso deslocadas: esquecem que o investimento feito em anos anteriores e a solidez do sector (incluindo a protecção social aos trabalhadores afectados pela crise) são radicalmente diferentes. Não podemos pretender ser europeus nos cortes quando não o somos nos orçamentos.
Assumimos naturalmente as nossas responsabilidades e desejamos contribuir para o combate à crise. Sabemos, até, que temos um papel importante a desempenhar, enquanto criadores, na construção de uma sociedade mais culta, mais esclarecida, mais cosmopolita, mais solidária, mais justa, mais humana. Mas recusamo-nos, por isso mesmo, a servir de pretexto para oportunismos cínicos ou de areia atirada para os olhos da opinião pública por responsáveis políticos que parecem mais interessados em assegurar o seu próprio lugar do que em cumprir as funções para as quais foram nomeados.
As companhias de teatro profissional financiadas pelo Estado ao abrigo de contratos pluri-anuais, entre as quais se encontram estas seis estruturas, representam a esmagadora maioria do teatro que é feito em Portugal. É através delas que o Estado assegura, em complemento ao trabalho feito pelos dois Teatros Nacionais, a prestação do serviço público de criação teatral. Colocar em risco a sua sobrevivência e condená-las a um sufoco ainda maior do que aquele em que já vivem é ameaçar todo o sistema teatral português. Fazê-lo desta forma, quebrando compromissos assumidos em contratos (na base dos quais elas assumiram encargos e responsabilidades com pessoas e entidades terceiras) é mais do que uma irresponsabilidade. É a demonstração evidente de que a actividade de criação artística é, para este Governo, algo que o país pode dispensar.
Não aceitamos esta “inevitabilidade”. E expressamos, apesar do contexto adverso em que o Governo insiste em colocar-nos, a nossa disponibilidade para debater com o Ministério as nossas propostas, tanto no que diz respeito à estruturação do tecido teatral e do sistema de financiamento da criação artística, como na procura de outras soluções para lidar com a crise que não sejam estes cortes “cegos”.
Coimbra, 28 de Junho de 2010.
A Escola da Noite (Coimbra)
ACTA – A Companhia de Teatro do Algarve
CENDREV – Centro Dramático de Évora
Companhia de Teatro de Braga
Teatro das Beiras (Covilhã)
Teatro do Montemuro (Campo Benfeito, Castro Daire)
28/06/10
Projecto BragaCult
O BragaCult tem blogue próprio. Para saber mais sobre o projecto e as acções que se vão realizar visite:
15/06/10
IV Festival das Companhias
22 a 27 de Junho
Coimbra
Co-produções entre a Companhia de Teatro de Braga e A Escola da Noite no primeiro e último dias do IV Festival das Companhias, que se realiza, este ano, em Coimbra, sob a organização d’A Escola da Noite.
Fonseca, o terceiro espectáculo da Trilogia 1José 2Rubem 3Fonseca, a partir de contos de Rubem Fonseca, tem honras de abertura, dia 22 de Junho (21h30), ficando o encerramento, no dia 27 de Junho (21h30), a cabo de Sabina Freire, de Manoel Teixeira-Gomes.
O Festival das Companhias é uma iniciativa de seis estruturas profissionais de criação teatral sediadas fora dos dois principais centros urbanos do país: A Escola da Noite (Coimbra), ACTA (Algarve), CENDREV (Évora), Companhia de Teatro de Braga, Teatro das Beiras (Covilhã) e Teatro de Montemuro (Campo Benfeito, Castro Daire). Reunidas desde 2004 na Plataforma das Companhias, estas estruturas têm aprofundado relações de inter-conhecimento e de colaboração, através de reuniões regulares para discutir assuntos de interesse comum, do estabelecimento de intercâmbios e de redes de circulação de espectáculos, da concretização de co-produções e da organização deste Festival, que passou já por Faro (2005), Braga (2008) e Campo Benfeito, Castro Daire e Lamego (2009).
Para além dos espectáculos das companhias envolvidas, o programa desta IV edição inclui, também, várias iniciativas de debate, a realização de uma feira do livro de teatro no Teatro da Cerca de São Bernardo, ao longo de toda a semana, e conversas entre artistas e espectadores no final de cada espectáculo.
O IV Festival das Companhias tem espaço próprio na blogosfera e pode ser visitado aqui.
Programa completo:
Terça-feira, 22 de Junho
15h00 Sessão de abertura TCSBar21h30 Fonseca de Rubem Fonseca A Escola da Noite / Companhia de Teatro de Braga TCSB 2h00 > M/16 > 6 a 10,00 Euros
23h30 Conversa com o público A Escola da Noite / Companhia de Teatro de Braga TCSBar entrada livre
Quarta-feira, 23 de Junho
18h00 Mesa-redonda: Edição teatral e dramaturgia contemporânea em Portugal: o contributo das companhias Livraria Almedina Estádio entrada livre
22h00 Cirineu de Fernando Paulouro Teatro das Beiras Pátio da Inquisição [espectáculo ao ar livre] 1h25 > M/12 > entrada livre
Quinta-feira, 24 de Junho
15h00 Mesa-redonda: A criação artística nas cidades médias com a participação dos/as vereadores/as da cultura e dos directores/as regionais da cultura abrangidos pela Plataforma Casa Municipal da Cultura – Sala Sá de Miranda entrada livre
21h30 O Fim de António Patrício Centro Dramático de Évora TCSB 1h05 > M/12 > 6 a 10,00 Euros
22h45 Conversa com o público Centro Dramático de Évora TCSBar entrada livre
Sexta-feira, 25 de Junho
10h00 Debate: O sistema teatral português: financiamento e circulação da criação artística com representantes do Ministério da Cultura, da CCDRC e de estruturas públicas de programação teatral TCSB entrada livre
22h00 Presos por uma corrente de ar Teatro de Montemuro Pátio da Inquisição [espectáculo ao ar livre] 1h00 > P/ todos > entrada livre
Sábado, 26 de Junho
10h30 Mesa-redonda: As companhias e os seus públicos: estratégias de comunicação e de circulação de espectáculos com a participação de representantes das seis companhias da Plataforma TCSBar entrada livre
15h00 Mesa-redonda: Trabalhar em parceria: co-produções, intercâmbio e mobilidade entre companhias com a participação de representantes das seis companhias da Plataforma TCSB (Bar) entrada livre
21h30 George Dandin de Molière ACTA – Companhia de Teatro do Algarve TCSB 1h15 > M/12 > 6 a 10,00 Euros
22h45 Conversa com o público ACTA – Companhia de Teatro do Algarve TCSBar entrada livre
Domingo, 27 de Junho
21h30 Sabina Freire de Manoel Teixeira-Gomes Companhia de Teatro de Braga / A Escola da Noite TCSB 2h00 > M/12 > 6 a 10,00 Euros
23h30 Conversa com o público Companhia de Teatro de Braga / A Escola da Noite TCSBar entrada livre
22 a 27 de Junho
Feira do livro de teatro TCSB 10h00 - 24h00
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